Interminas 2008, eu estive lá, e você?
O dia 17 de maio tornou-se um marco no mercado web mineiro ao receber a primeira edição do Interminas, a versão ‘outside’ do Intercom, o encontro dos profissionais de comunicação digital, que acontece em São Paulo, há 5 anos e pela primeira vez aconteceu fora de São Paulo.
O interminas foi realizado pelo iMasters e no apoio aquela agência da qual eu não me canso de ‘pagar um pau’ 5Clicks. Como um primeiro evento desse porte, fora de São Paulo e em um mercado, infelizmente não acostumado a esse tipo de acontecimento, concordo em dizer que o Interminas foi um sucesso.
A primeira palestra da manhã, do “Sr. Latrina Mambembe” Caio César, prof. da PUC-Minas, profissional de marketing [?], que se propos a falar mais do mesmo, e ainda por cima mantem um blog que precisa de desodorante [O CC do Caio Cesar na Web, isso lá é nome que se dê a blog? Qualquer profissional de marketing é capaz de perceber e há de concordar comigo que CC, ou Cêce, é algo que carrega, no senso-comum, uma conotação. um tanto quanto, pejorativa.], e falando mais do mesmo conseguiu entediar a platéia e mostrar que o papel dele ali era completamente desnecessário.
A segunda palestra da manhã foi excelente, se olhada pelo angulo certo [discorro sobre isso mais à baixo.] Abel Reis, presidente da Agência Click, falou muito bem, sobre como a Click integra criativos profissionais da programação com os matemáticos da criação. Isso mesmo Abel mostrou que não adianta o cabra ser bom programador se ele não for criativo, e também não adianta um bom diretor de arte que é incapaz de dialogar com um programador.
A terceira palestra da manhã era a mais aguardada do dia, brincadeira, a mesa redonda que reuniu profissionais que conhecem o mercado mineiro e também mercados externos, como São Paulo e internacional, além da excelente visão de cliente. Os cabras que se assentaram à mesa redonda, sem mesa, diga-se de passagem, eram Paulo Valadares, como o cliente representando a Globo Minas, Ronaldo Gazel, designer freelancer [de mão cheia por sinal], Rodrigo Bressane, fotografo, jornalista e designer [não necessariamente nesta mesma ordem], que já trabalhou fora do pais, Marlos Carmo, diretor da 5Clicks, como a agência, e eu, como o profissional que deixou MG para enfrentar o mercado de São Paulo.
50 minutos foram poucos para o que a mesa redonda tinha a oferecer, muito conhecimento, um bate papo descontraído, com uma divertida brincadeira, medindo os batimentos cardiacos dos participantes, que inclusive me “matou” uma vez. Hehehe :)

[foto por Luis Leão]
Depois da pausa para o almoço, as palestras voltaram com a Maria Lucia, FIAT, falando sobre as campanhas online da Fiat, posicionamento da empresa na web, etc… bom, ao menos era isso que esperavamos, mas infelizmente a palestra dela acabou se tornando uma sessão de cinema com vídeos, produzidos pela Agencia Click, para campanhas online da montadora. Fraco. Infelizmente faltaram as metricas, números de conversões, enfim aquilo que realmente interessava aos profissionais de comunicação que com certeza já conheciam a maioria dos vídeos.
Na sequência um dos eventos mais esperados do dia, de verdade, o BrainCast que infelizmente não conseguiu ser bom quanto a versão produzida online e nem chegou aos pés do que foi feito no intercomm ano passado. A culpa não foi da trupe Cris Dias, Fábio Seixas, Carlos Merigo e Luli Radfarher [que substituia Mauro Amaral que não pode comparecer], mas sim da plateia, e ai eu volto a falar que discorrerei sobre isso daqui a dois paragrafos.
Depois do BrainCast, que duvido que vá ao ar, subiu ao palco o mestre Jedi Luli, falando sobre onde a web está, o que aconteceu até hoje e o que podemos esperar para um futuro próximo. Luli é um show à parte, único PHD em comunicação digital do Brasil, entende tudo sobre internet, e diferente de todos nós que estamos começando a nossa carreira, Luli sabe exatamente o que fazer no palco. Como falar, o que falar, quando falar.
A sensação é de que o evento valeu muito mais pela participação do Luli de que por qualquer outra palestra, Luli conseguiu falar de forma que todos os presentes pudessem entender o que ele falava. E isso fez muita diferença.
Diferente do mercado de São Paulo, os “profissionais de verdade” do mercado mineiro não frequentam esses eventos, o que é uma pena, e o interminas esteve lotado de iniciantes, o que de certa forma é bom, mas o evento era voltado a quem já estava no mercado. A palestra do Abel Reis não era direcionada a quem não tinha know-how de agência, de mercado, do relacionamento cliente-fornecedor. O mesmo aconteceu quando o BrainCast começou. Luli, Cris Dias, Fábio Seixas e Carlos Merigo, saltaram no palco com suas guitarras de guittar-hero empolgando a galera, mas eles mesmos perderam a empolgação ao perceber que boa parte dos presentes sequer conhecia as ferramentas de comunicação mais usadas na web atualmente, como o twitter, por exemplo. Sim muita gente ali não conhecia o Twitter.
O evento terminou em grande estilo, mostrando que Minas, pode sim, ser o mercado web do futuro, que temos [sou mineiro, mesmo em São Paulo] potencial para isso. Serviu como aprendizado, e mostrou que poderiamos ter tido o evento em dois dias, um mais voltado à turminha que começa agora, e outro pros “escolados”.
Finalmente conheci pessoalmente o Cris Dias e o Fabio Seixas, com quem converso via web desde que escrevemos aquele artigo sobre web2.0 no carreira-solo. O Mauro não apareceu e não pude conhecê-lo. 5 minutos de bate-papo com o Luli no final da palestra dele me mostraram que o caminho a percorrer é longo, e que ser um padawan deste mestre Jedi da comunicação realmente vale à pena.
Blogueiros estiveram presentes também, Manoel Netto, Pedro Markun, Lisie [mehor companhia impossível], Manoel Lemos, Alexadre Fugita [que lembrou a senha do twitter e voltou a twittar], e outras figuras marcantes da web brazuca.
Parabéns à 5Clicks pelo excelente trabalho de ambientação para o evento, pela organização da mesa redonda e pela forma como o Saulo Medeiros hosteou o evento, apesar do nervosismo, normal para um marujo de primeira viagem, ele se portou muito bem no palco.
Saudades de BH, enquanto escrevo este post, no avião, de volta a São Paulo, me sinto esperansoso, aguardando outros eventos como esse e até maiores e melhores que esse, na minha terra natal. Torço para que os profissionais do mercado mineiro se atentem a estes eventos e que percebam que EWD infelizmente é muito mais comercial do que deveria, e que a proposta dos Intercoms, e interminas e outros inters espalhados Brasil à fora, é de compartilhar conhecimento, mostrar como o mercado está evoluindo e o que podemos esperar e planejar em nossas próximas ações.
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thanks @tagliati e @eusouomatt que pegaram duas falhas aqui no post, já corrigidas :)
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21 comentários
Até eu senti falta de mim no Interminas.
Fiquei devendo um chopp :D
Minha grande dúvida filosofal ao fim do evento é sobre quem estava no evento errado: quem não sabia o que era Twitter e quem sabia o que era Twitter.
Se o cara é usuário ativo do Twitter, sabe o que é ARG, etc. ele precisava estar ali? De novo, não sei. Filosofemos. Talvez o Interminas tenha sido justamente para falar “ei pessoal, olha que legal tudo isso aqui!”.
E, que eu saiba, o Braincast lá gravado vai ao ar sim, ué. :-)
Cris, eu achei que não fosse ao ar, principalmente pq o “retorno” que percebi do Fábio, logo depois do Braincast, tinha um “que” de decepção.
Pelo que conheço do intercom, apesar de nunca ter ido, acho que o interminas era mais pros profissionais que pros ‘newbies’ por assim dizer.
Acho extremamente válido eventos focados nesse público, mas sem palestras como a do Abel que claramente era voltada pra outro target, como ele mesmo disse.
Concordo Rafael. O Braincast ficou bem aquem do esperado, tanto pra nós que fizemos quanto para quem já conhecia.
Mas aprendemos. Entramos no palco e falamos como se todo mundo conhecesse o Braincast, como se fossem leitores dos nossos blogs.
Faltou estudarmos o público, e adequarmos o papo. Não estamos sempre em um #NoB, certo? :)
Na próxima vai ser melhor.
abs
Olá Rafael, chegando por aqui pelo livestream do interminas.
Concordo muito com seu post. Tem que haver espaço pra tchurma iniciante, mas também ter que ter espaço pro pessoal mas escolado. Aí sim, daria pra dar os enfoques adequados aos respectivos públicos. No fim das contas misturou muito, mas o saldo final foi positivo. A palestra do Luli encerrou com chave de ouro. O cara soube colocar um tema complexo de forma leve e bem humorada. E nos próximos eventos a organização faz os ajustes necessários. Para um primeiro interminas, esteve bom! Abs
Rafael, uma pessoa que estava comigo no Interminas resumiu bem um problema recorrente: todo mundo estava um pouco distante da realidade, tanto no palco como na platéia.
No palco, acho que o pessoal se empolgou. Esse negócio de “a internet chegou, acabou a mídia e a economia tradicional” não é verdade. A Fiat aposta na presença na Web? Ótimo, mas quero ver ela parar de anunciar na novela. O perfil do público mudou? Sim e não. Minha mãe e minha avó têm email, mas nunca farão uma compra online.
Na platéia, tivemos uma turma bem diversificada. Desde os twitteiros brigando com o wi-fi até gente que não devia nem ter email. Fica difícil ter um diálogo ou “despalestra” bacana. Talvez o Abel Reis tenha sido quem mais conseguiu captar a mensagem, com a mistura de filosofia, arte e tecnologia.
Tenho um pouco de preguiça desse tipo de evento. Só vale a pena pelo lado social mesmo.
É a questão filosofal de “nivelar por cima” ou “nivelar por baixo” que eu falei. :-)
No Intercon passado o Marcelo Póvoa começou a falar coisas “básicas” de internet e a turminha descolada do Twitter levantou e saiu da palestra. Virou “case de sucesso do Twitter”. Então daria pra agradar a todos?
Eu particularmente estava com uma paranóia total do tempo: 1 hora para falar de 3 assuntos na pauta (e só falamos mesmo de 2). Acabamos passando por cima da parte “didática” e, ainda por cima, o tema mais pesado foi o que entrou primeiro (ARGs).
A grande pergunta é: se um cara na platéia não entendeu o que algum palestrante falou ele sai dali pensando “Caramba, eu tenho que correr atrás e me informar” ou “Que droga de palestra/evento”?
Eu não sei a resposta.
Gostei muito do seu post, consegui imaginar perfeitamente o que deve ter sido o evento. Eu dirijo o núcleo de web da Lápis Raro, vc conhece o nosso trabalho? Estamos fazendocoisas muito legais e muito consistentes para os nossos clientes, mas infelizmente não conseguimos nos inscrever, as vagas já tinham se esgotado. Parece que a galera iniciante é mais esperta que a gente :)
Esta caixa de comentários ficou aberta um tempinho…e eu pensando. Como não fui, não vivi. E como não vivi, fico meio ensimesmado em comentar. Mas…
O Merigo acertou no ponto: conhecer sua audiência.
Não somos nós os evangelistas do mercado? Em cada uma de nossas posições não nos pagam para mostrarmos o caminho das pedras para esta ou aquela tendência?
Ao conhecer o público (briefing, reuniãozinha - virtual que seja - com os organizadores etc) podemos falar sobre o twitter para quem não o conhece, certo? Podemos até moldar sua função de acordo com o evento, porque não?
Mas acho válido demais o acontecido, não só para nós que pensamos o mercado como para o próprio Braincast.
O evento que ambientar sua próxima gravação poderá ser marcado como o primeiro em que todos os presentes (do engenheiro ao atendimento online) terão entendido que, para o mercado crescer, aqueles que o movimentam também precisam.
E só se cresce assim, aprendendo, todo dia.
E eu me incluo no bolo.
Que venham os próximos.
(Qual a pauta? Qual o foco?)
Rafa, acho que o evento pode dobrar na proxima edicao.
A quantidade de gente que nao conseguiu se inscrever aliada ao publico heterogeneo mostram que o evento pode ter 2 dias de duracao, e até mesmo palestras paralelas.
Acho que todo mundo está concordando em um ponto. O conteúdo foi web 2.0, a platéia era 1.0 (grande parte).
De qualquer forma, o Mauro Amaral e o Cristiano mataram a charada: o trabalho dos palestrantes não é falar do mesmo nem nivelar por baixo, é evangelizar e puxar o povo adiante.
O comentário do Merigo foi pertinente, se o conteúdo foi web2.0 e a platéia era web1.0, é sinal que o que está sendo colocado não corresponde, de fato, aos anseios do mercado. Colocar o twitter como a terra prometida da publicidade on-line é uma afirmação perigosa.
escrevi minhas observações sobre o InterMinas em:
http://www.marcelolinhares.com/v3/blog/observacoes-networking-e-experiencias-no-interminas2008
acho que todas as minhas impressões sobre o interminas já foram faladas. tanto pessoalmente, twitter e no meu post.
o que tenho a mais pra acrescentar é esse lance de que o evento tinha mesmo que ser 2 dias. e com mais coisas a-la Radfaher.
por fim, obrigada (sempre) pela companhia e pela blusa de frio! (:
Olá, Cris.
Acho que não podemos avaliar a eficácia de toda uma (des)palestra baseando-se apenas em um dos temas abordados (Twitter). Não estamos supervalorizando demais uma ferramenta que ainda não mostrou a quê veio? Não estamos diante de outro “Second Life”? Acho que só o tempo dirá, e basear no desconhecimento em relação ao Twitter por parte do público de maneira alguma desqualifica esse público. Isso não faz dele um público 1.0 de forma alguma. Apesar de não usar o Twitter, eles blogam, postam vídeos no YouTube e participam de redes sociais. O Twitter é só mais um no meio disso tudo.
Abraço e visite meu blog!
http://mercadowebminas.blogspot.com (tem um resumão do evento lá)
Putz cara!!!
Queria MUITO ter ido neste evento!!!
Fiquei puto, mal começaram as inscroções e já esgotaram… Só não fui porque acabaram as inscrições!!! Aff…
Mas para quebrar o galho fui no 13ºEWD, que sempre rola aqui… Foi bom!!! É sempre legal ver coisas novas!!!
E seu ex-patrão e ex-professor estava lá… nosso amigo “esqueceream de mim”!!!
Abraço cara,
Sucesso ai em SP!!!
Primeiramente devo admitir que me decepcionou em algumas áreas, vou explicar;
Quando fui ali no Interminas pensei que ia rolar mais coisas voltadas para a web 2.0 como os novos softwares que estão proporcionando o ganho da net ex; Flash, Html, Java Script,Dhtml,Css,Php,Asp, Asp.net Xml dentre outros.
E mais pessei que iam explicar mais sobre as RIAS, sobre o Adobe Flex, Silverligth e Java FX …!!
Mais para o primeiro Interminas foi bom espero que melhore mais e outra sinceramente eu nem sabia o que era Twitter agora sei rsrs!!!!
Abraço para todos…
Olá Pedro,
acredito que a proposta do interminas não é essa de mostrar software. Assim como o intercom a ideia é falar do mercado, dos profissionais, das tendencias, de comunicação digital.
Qual software usar, é escolha do profissional e em nada interfere no resultado final [considerando que o prossional saiba mesmo usar o software].
Para eventos sobre software, etc… fique ligado nos sites dos desenvolvedores, vira e mexe tem alguma apresentação rolando. :D
Abraço,
Obrigado Rafael pela resposta mais cá entre nós o próprio Twitter tb não é uma ferramenta , e vcs falaram. Por que não colocarmos mais informados sobre o que os desenvolvedores de site estão usando mais e seus recursos, acho que seria legal, como vc disse claro que cada um prefere seu software, mais por que não mostrar suas qualidades e nos informar melhor para tomarmos descisões apartir de suas citações. Mais uma vez lhe agradeço pela atenção OBRIGADO.!!!!
Pedro, eu sinceramente tenho um certo receio com relação a indicar ferramentas, vira-e-mexe substituo uma ou outra.
Até ontem era um usuário de pc com windows, hoje sou usuário de mac. Algumas ferramentas eu transportei, outras não. E ainda vou mudar muitas coisas, testar etc. Isso faz parte.
Além disso falar de software é complicado, nesses eventos existem parceiros comerciais… Se a MS apoia eu nao posso falar bem do Flash, pq ela tem o Silverlight, se a Adobe apoia, nada de falar em silverlight, e por ai vai.
Não vou prometer, mas pretendo fazer um review dos softwares que uso em breve. Quem sabe?
Abraço,
RA
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