relevância e publicidade

Substantivo: re.le.vân.cia ou re.le.vân.ci.a, feminino – supremacia, destaque, importância

É assim que o Wikicionário define a palavra relevância. Sinônimo de supremacia, destaque e importância.

photo @ sxc.hu

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Tenho visto, já há algum tempo, várias agências que se denominam agências de social media, interactive media, entre outros termos hypes, que no final dizem apenas que são mais um bando de publicitários tentando ‘rodar bolsinha’ num mercado mais digital mas não menos real e foraz, e porque não, voraz que o que chamamos hoje de tradicional.

Essa tal de social media, ainda muito mal exploradas por essas agências que, não consigo entender como, tem feito algum dinheiro, ou pelo menos pago as contas e ostentado algum luxo. Por enquanto a tal midia social que essas agências dizem entender, resume-se a um ou outro trabalhinho em sistemas de comunidades, leia: orkut, e muito post ‘patrocinado’ em blogs “relevantes”.

Como boa parte do que é possível ver do trabalho dessas pessoas está nos blogs, me espanta que ainda existam gerentes de marketing, dentro de grandes empresas que aprovam esse tipo de gasto.

A “relevância” dos blogs usados nas campanhas se restringe a um pequeno círculo de blogs ‘amigos’ que mal são capazes de representar alguma porcentagem significante do target que as peças deveriam ter. Vários grandes clientes tem investido em campanhas de social media onde os ‘veículos’ contratados são selecionados pela ‘amizade’ com o pessoal da agência, ao invés da capacidade de penetração e formação de opinião para o target do produto.

Como disse Eduardo Vasques no Pérolas das Assessorias é difícil entender porque algumas agências preferem gastar a verba de seus clientes em veículos como o Estadão ou o Valor Econômico, que não tem representatividade para os clientes, ao invés de investir em jornais regionais, que são consumidos pelo target dos clientes.

O mesmo acontece com os blogs. Rankings como o technorati ou o do BlogBlogs, onde trabalho, são tidos como únicas ferramentas para escolha de blogs que participaram de campanhas, isso quando são usados. Ignoram-se blogs que abordam assuntos que possam ser usados como mote para campanhas, e que falam diretamente para o target.

Desde 1996 acompanho o mercado web no Brasil, um tempo mais afastado, mas sempre de olho no que está acontecendo, e ainda me espanto com as milionárias verbas jogadas fora, baseadas em métricas repletas de falhas, torradas apenas pelo hype, enquanto propostas que realmente poderiam fazer diferença positiva na conta do cliente, são ignoradas.

Me pergunto até quando a publicidade brasileira irá sobreviver trabalhando apenas com os ‘amigos’, com os pseudo-famosos. Já passou da hora de encarar a web como meio real de comunicação, e abordar os consumidores reais. Publicidade de bebida em blog de tecnologia só pq o amigo do cara da agência escreve o blog não é tratar a verba do cliente com responsabilidade.

Antes que digam que este post é uma reclamação infantil de um blogueiro que não participou das campanhas, aviso que o ideiadigital não está à venda!

2 comentários

1 Eduardo Vasques { 12.04.08 at 8:34 }

Fala Rafael, tudo certo? Agradeço a citação. Sejamos honestos, faz muito tempo que gerentes de marketing gastam o dinheiro das empresas de forma irresponsável. Também não concordo com o modelo que vem sendo adotado pelas agências na prática de relacionamento com as mídias sociais. Essa “camaradagem” foi um tema ferrenho inclusive de um newscamp (http://newscamp.wordpress.com) que organizo com uma amiga. Um dos blogueiros “relevantes” chegou a afirmar que a escolha era feita entre amigos porque já se conheciam e conheciam o perfil. Se ele não soube se expressar é outra história, mas acabou dizendo isso e gerou grande controvérsia no debate.
Acho que já passamos da fase da amizade e precisamos de mais profissionalismo mesmo, com estratégias, planejamento e conteúdo de qualidade.
Abraço

2 Rafael Apocalypse { 12.04.08 at 15:09 }

Olá Eduardo, concordo com vc.

Se a escolha dos amigos se dá pq conhecem o perfil, concluo duas coisas a respeito, 1. não sabem trabalhar direito e dão de ombro para, algo muito importante no planejamento de comunicação, as pesquisas; ou, 2. preguiça, que pra mim é falta de proficionalismo. Mas no fundo acho que é falta de vergonha na cara mesmo.

Gostei da ideia do newscamp, rolando o próximo estou dentro!

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