Going retro?

moleskine by: StarbuckGuy

moleskine by: StarbuckGuy

Desde pequeno sou um apaixonado, quase viciado, em tecnologia. Adorava construir e desconstruir coisas, ainda me lembro quando meu pai me entregou um velho despertador, daqueles com ’sino’ e de dar corda, que estava quebrado, para que eu tentasse concertar, e ainda me lembro dele rindo quando a mola do relógio ‘estourouu’ espalhando peças por toda a nossa sala de jantar.

A pré adolescência, e parte da adolescência eu passei montando engenhocas com uma das primeiras versões do Lego Technic, de carros a braços mecânicos. Computadores, desde o primeiro 486 que apareceu na agência do meu pai, sempre me fascinaram.

Nunca me dei bem com agendas de papel, nunca soube usá-las, tentei listas de tarefas em papel também, mas não funcionava, eu não conseguia usá-las, a que melhor funcionou eu fiz inspirada nesta, era semanal, sem horários nos dias, e eu a mantinha impressa em uma folha A4 sobre a minha mesa, mas tão logo apareciam novas tarefas eu me perdia nessa lista também.

Acreditava que a solução seria um software no meu pc, mas não era um notebook, e quando eu não estava na frente do pc, eu não sabia a minha agenda. Colocar tudo na internet, poderia ser uma saída mas eu não estava 100% do tempo conectado, e sempre que eu não estava online eu precisava de alguma coisa que estava na lista.

Um Palm, preciso de uma coisa dessas, eu pensava, até comprar meu primeiro T|X, funcionou muito bem durante um tempo, mas depois, quando inserir dados nele se tornava cada vez mais frequente, e precisava ser ainda mais rápido, ele começou a perder sua função. Apesar de eu ainda acreditar que um palm seja o dispositivo ideal, a maneira como insere-se dados nesses dispositivos ainda não é eficiente, se vc precisa ser rápido, desista, ou treine muito. E ainda existe a necessidade de ter sempre carga na bateria, um dia que você esquece de carregá-lo, pode significar um enorme prejuizo.

A solução veio quando eu conheci os Moleskines, caderninhos simpáticos, caros pra burro, com uma grande e grandiosa história por trás, dizem (e já confessaram ser muito mais marketing que verdade) que gênios como Picasso, DaVinci, Michelangelo e Hemmingway usavam caderninhos dessa marca italiana. Feitos à mão, com papel livre de acetado, e de um tom amarelo e parece gritar pedindo a tinta da sua caneta. Um modelo pequeno quadriculado, no Brasil custa (hoje comprei um) R$47,00, outros modelos custam mais ainda, alguns beiram os cem Reais.

Esses caderninhos simpáticos me fizeram voltar ao papel, escrevo, anoto, rabisco tudo neles, bom nem tudo ainda. Ainda não me desprendi tanto assim, e o primeiro deles, que não era um Moleskine, mas era inspirado nele, feito por esse pessoal aqui, ficou uns 14 meses na minha mochila, apenas com a primeira página preenchida, com a data da compra e meu nome, e só.

Mas depois que esse apego foi passando e eu criei coragem, comecei a anotar tudo de importante nele. Por exemplo, quando bati, pela primeira vez, meu carro, tudo sobre o acidente e todo o processo pós acidente foi registrado no caderninho. Lista de tarefas também vão parar lá, pensamentos algumas vezes também. Só não me arrisco a desenhar porque, ainda, não sou bom nisso.

Voltar ao papel trouxe outro vício, o dos Moleskines, quero todos que puder comprar, e das canetas, ao ponto de eu ter duas 0.3, duas 0.4, uma 0.5, uma 0.6, uma 0.7, e uma 0.8, só para fazer minhas anotações e rabiscos de projetos, idéias, etc…

Voltar ao papel é pra mim, além de prático, uma forma gostosa de fugir, nem que seja por alguns instantes, de tanta tecnologia, é libertador, é inspirador, e não há nada como o cheiro de papel, tinta e café pela manhã ;)


Para você ter ideia do quanto as pessoas são apaixonadas, e quantas coisas legais elas fazem com seus moleskines, faça uma busca no Google, e no Flickr.

2 comentários

1 Mari { 11.24.08 at 23:06 }

“…não há nada como o cheiro de papel, tinta e café pela manhã…”

Isso sim que é coisa de gente inspirada, hein!

gostei do post de hoje, escreva mais, sr Rafael. Você passa uns tempos sem escrever… Deve ficar acumulando inspirações… hehehehe.

Beijo

2 Marcelo Moraes { 12.07.08 at 19:56 }

Muito legal saber destes MOLESKINES, vou procurar quando passar por alguma loja do ramo. Não abro mão do papel, lápis e caneta, mas com o computador, com certeza, passei a me organizar melhor.

Sempre mantenho um caderno (ou caderneta) por perto, afinal, dispensa energia elétria e não usa baterias!

Parabéns por este espaço.
Um abraço.

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